Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Árvore nativa supera o eucalipto e melhora o solo em pastagens, aponta Embrapa

Estudo em Rondônia mostrou que o bordão-de-velho deixa o solo mais fértil, com mais carbono e maior diversidade de microrganismos.

Por GuilhermedaPorteira · 31/10/2026 09:30
Vídeo: “Árvores integradas à pecuária melhoram a qualidade do pasto” – Embrapa (assista no YouTube)

Uma árvore nativa e pouco lembrada pelo pecuarista pode ser uma boa aliada da pastagem. Pesquisa da Embrapa com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (Cena) mostrou que o bordão-de-velho (Samanea tubulosa) melhora a qualidade biológica do solo em sistemas silvipastoris, que combinam gado e árvores.

Como foi o estudo

O trabalho começou em 2018 no campo experimental da Embrapa Rondônia. Uma área de 14 hectares de capim-marandu foi dividida em duas metades: uma recebeu 156 mudas de bordão-de-velho e a outra, 172 mudas de eucalipto. Amostras de solo foram coletadas em 2022 e 2024, em várias profundidades. A pesquisa faz parte do doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas, orientado pela professora Tsai Siu Mui, do Cena/USP.

Resultados

  • Solo mais fértil: mais matéria orgânica e menos acidez na área com a árvore nativa.
  • Mais vida no solo: maior diversidade de bactérias e arqueias do que sob o eucalipto. A influência da árvore sobre esses microrganismos chegou a cinco metros de distância e a camadas mais profundas.
  • Carbono: o sistema com bordão-de-velho teve o maior Índice de Manejo de Carbono, de 91,13. Ou seja, o solo manteve 91% do carbono de uma floresta nativa usada como referência.

Os estoques de carbono dos dois sistemas ficaram estatisticamente parecidos entre si e com os da mata: 107 t/ha no eucalipto, 95 t/ha no bordão-de-velho e 78 t/ha na floresta, já corrigidos pela compactação do solo. Para Cipriani, os sistemas provavelmente recuperaram parte do carbono perdido quando a área foi desmatada, décadas atrás.

Vantagens para o gado

A árvore é uma leguminosa que fixa nitrogênio no solo, faz sombra para o rebanho e produz vagens que o gado gosta de comer. Ela ocorre em quase todo o Brasil e pode chegar a 28 metros de altura. Também é conhecida como farinha-seca, ingá-de-pobre, samaneiro e árvore-da-chuva. A madeira tem menos valor comercial que a do eucalipto, mas o conjunto de benefícios torna a espécie atraente para o pecuarista.

Os pesquisadores lembram que o estudo foi feito na Amazônia. Para confirmar os resultados em outros biomas, serão necessários experimentos locais.

No vídeo acima, a Embrapa mostra como as árvores integradas à pecuária melhoram a qualidade do pasto.


Fonte: Canal Rural (20/10/2026), com informações da Embrapa. Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.

Imagem de destaque: Árvore Samanea tubulosa, conhecida como bordão-de-velho, em área aberta. Foto: Lucas Leuzinger, via Wikimedia Commons (CC0). Imagem ilustrativa, não registrada no local dos fatos.

Vídeo: Embrapa, incorporado do YouTube. Todos os direitos reservados ao canal.

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