Edição gênica e células-tronco: o que a ciência prepara para a reprodução bovina
Embrapa testa bovinos editados para tolerar calor e pesquisadora da Universidade da Califórnia estuda gametas feitos a partir de células-tronco.
Gado europeu mais tolerante ao calor e, no futuro, óvulos e espermatozoides produzidos em laboratório. Essas são duas frentes de pesquisa em engenharia genética que podem mudar a pecuária. Os temas foram apresentados no I SIMFertCorte, o Simpósio Internacional de Reprodução e Fertilidade em Gado de Corte, realizado em 15 e 16 de outubro em Campo Grande (MS).
Calor: o calcanhar de Aquiles das raças europeias
O estresse térmico é um dos grandes desafios da pecuária tropical, principalmente para raças europeias como Angus (corte) e Holandesa (leite). Segundo o pesquisador Luiz Sergio Camargo, da Embrapa, o calor reduz a fertilidade e as taxas de concepção, aumenta o intervalo entre partos e derruba a produção. O problema também atinge regiões temperadas, como partes do Sul do Brasil, que têm verões quentes.
A proposta da pesquisa é usar a edição gênica para aumentar a tolerância ao calor sem perder as qualidades produtivas já selecionadas nessas raças. Camargo deixa claro que os animais não vão ficar totalmente imunes ao calor, mas devem tolerá-lo melhor.
As primeiras avaliações mostraram diferenças no comportamento e na resposta térmica dos animais editados. Os resultados ainda são preliminares. O próximo passo é ampliar a população fundadora, produzir a geração seguinte e testar mais animais a campo.
Células-tronco e reprodução “in vitro”
A pesquisadora Anna Denicol, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), estuda as células-tronco embrionárias bovinas. Segundo ela, só a partir de 2018 foi possível obter essas células com qualidade para mantê-las em laboratório. Elas têm duas propriedades valiosas: podem se multiplicar por muito tempo em cultivo e podem se transformar em outros tipos de célula.
Uma das linhas de pesquisa busca transformar essas células em óvulos e espermatozoides, que poderiam ser usados na fertilização in vitro sem a necessidade de um animal doador. A tecnologia, porém, ainda não existe para bovinos. Os resultados mais avançados foram obtidos em camundongos, e vários grupos tentam adaptar os métodos para o gado.
O vídeo acima, do Planeta Campo, mostra pesquisadores da Embrapa explicando o nascimento dos primeiros bezerros geneticamente editados no Brasil.
Fonte: Canal Rural (11/10/2026). Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.
Imagem de destaque: Bezerro da raça Angus em pastagem. Foto: Colin Smith, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Imagem ilustrativa, não registrada no local dos fatos.
Vídeo: Planeta Campo, incorporado do YouTube. Todos os direitos reservados ao canal.
