Pecuarista de 91 anos tem mais de 2,3 mil cabeças furtadas no RS; ex-gerente é investigado
Prejuízo passa de R$ 11 milhões. Operação Apropriare apreendeu 500 animais em Santiago, na Fronteira Oeste gaúcha.
Um pecuarista de 91 anos de Santiago, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, perdeu cerca de metade do seu rebanho. Ele percebeu o problema ao comparar o registro oficial do plantel com a contagem feita no campo: faltavam mais de 2.300 bovinos. O prejuízo estimado passa de R$ 11 milhões.
Operação Apropriare
A denúncia levou à Operação Apropriare, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas em conjunto com a Secretaria da Agricultura do estado. Até agora, a polícia cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, recolheu 500 animais e uma caminhonete e bloqueou um imóvel rural.
O principal suspeito é o ex-gerente da fazenda. Segundo a investigação, ele teria autorizado transferências irregulares de gado e emitido notas fiscais que não batiam com as movimentações.
Nascimentos “fantasmas” de terneiros
O delegado regional Guilherme Antunes relatou que a polícia também encontrou fraudes no registro de nascimentos de terneiros. Segundo ele, o investigado recebia lotes de animais sem pagar por eles e, no mesmo dia, lançava nascimentos no sistema para dar aparência regular ao rebanho.
A polícia apura ainda apropriação indébita e falsidade ideológica. O delegado admite que ainda não se sabe se os animais foram de fato vendidos ou transferidos, ou se houve apenas o “empréstimo” de guias de trânsito para regularizar gado de outra origem.
Lição para o produtor
O caso mostra como é importante conferir com frequência o rebanho físico contra o saldo registrado no órgão de defesa agropecuária. Também vale acompanhar de perto as Guias de Trânsito Animal (GTAs) emitidas em nome da propriedade, mesmo quando a gestão do dia a dia está nas mãos de terceiros.
Fonte: Canal Rural (23/10/2026). Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.
Imagem de destaque: Peão conduzindo boiada Nelore. Foto: Christopher Borges, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Imagem ilustrativa, não registrada no local dos fatos.
