Cota da China para 2027: sem controle dos embarques, arroba pode disparar no fim do ano
Analista projeta até 400 mil toneladas embarcadas entre novembro e dezembro. Abiec pede ao governo um sistema para dividir a cota entre os frigoríficos.

A forma como o Brasil vai usar a cota de carne bovina da China em 2027 pode mexer com o preço do boi ainda em 2026. Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a arroba pode “explodir” nos últimos meses do ano se não houver um controle interno dos embarques.
Corrida para garantir a cota
A China fixou para o Brasil uma cota de 1,128 milhão de toneladas em 2027, 2% acima do limite de 2026 (1,106 milhão). A carne que entra dentro da cota paga tarifa de 12%. Acima dela, há uma sobretaxa de 55%, e a tarifa total chega a 67%.
Segundo Iglesias, a estratégia mais provável dos frigoríficos é abater em outubro e embarcar entre novembro e dezembro, para que a carne chegue à China em janeiro e entre na cota de 2027. Sem uma regra que distribua esses embarques, o Brasil pode enviar até 400 mil toneladas nesses dois meses. A procura por boi gordo subiria muito. Com um sistema de gestão, a tendência seria de preços mais estáveis, com altas pontuais.
Abiec pede divisão entre frigoríficos
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já levou a proposta ao governo. A ideia é repartir a cota entre os frigoríficos com base na participação de mercado e no histórico de exportações de cada um. O presidente da entidade, Roberto Perosa, alertou em setembro que, sem nenhuma medida, a cota de 2027 pode acabar já em março. O governo ainda não definiu um modelo.
Exportações de outubro
Nos sete primeiros dias úteis de outubro, o Brasil exportou 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura, que renderam US$ 377,9 milhões, segundo a Secex. Na comparação com outubro de 2025, o volume médio diário caiu 39,9%, mas o preço médio subiu 11,3%, para US$ 6.163 por tonelada.
Fontes: Canal Rural (Victor Faverin, com Safras News, 18/10/2026); Canal Rural/Abiec; Secex. Vídeo: CNN Brasil/YouTube. Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.
