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Cota da China para 2027: sem controle dos embarques, arroba pode disparar no fim do ano

Analista projeta até 400 mil toneladas embarcadas entre novembro e dezembro. Abiec pede ao governo um sistema para dividir a cota entre os frigoríficos.

Por GuilhermedaPorteira · 24/10/2026 09:30
Vaca Nelore com bezerro, vistos de perto
Vaca Nelore com bezerro. Foto: Neloreitaguacu, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
🎥 Vídeo: Cota chinesa deve limitar embarques de carne bovina — crédito: canal CNN Brasil (CNN Agro News) no YouTube (assista no YouTube)

A forma como o Brasil vai usar a cota de carne bovina da China em 2027 pode mexer com o preço do boi ainda em 2026. Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a arroba pode “explodir” nos últimos meses do ano se não houver um controle interno dos embarques.

Corrida para garantir a cota

A China fixou para o Brasil uma cota de 1,128 milhão de toneladas em 2027, 2% acima do limite de 2026 (1,106 milhão). A carne que entra dentro da cota paga tarifa de 12%. Acima dela, há uma sobretaxa de 55%, e a tarifa total chega a 67%.

Segundo Iglesias, a estratégia mais provável dos frigoríficos é abater em outubro e embarcar entre novembro e dezembro, para que a carne chegue à China em janeiro e entre na cota de 2027. Sem uma regra que distribua esses embarques, o Brasil pode enviar até 400 mil toneladas nesses dois meses. A procura por boi gordo subiria muito. Com um sistema de gestão, a tendência seria de preços mais estáveis, com altas pontuais.

Abiec pede divisão entre frigoríficos

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já levou a proposta ao governo. A ideia é repartir a cota entre os frigoríficos com base na participação de mercado e no histórico de exportações de cada um. O presidente da entidade, Roberto Perosa, alertou em setembro que, sem nenhuma medida, a cota de 2027 pode acabar já em março. O governo ainda não definiu um modelo.

Exportações de outubro

Nos sete primeiros dias úteis de outubro, o Brasil exportou 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura, que renderam US$ 377,9 milhões, segundo a Secex. Na comparação com outubro de 2025, o volume médio diário caiu 39,9%, mas o preço médio subiu 11,3%, para US$ 6.163 por tonelada.


Fontes: Canal Rural (Victor Faverin, com Safras News, 18/10/2026); Canal Rural/Abiec; Secex. Vídeo: CNN Brasil/YouTube. Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.

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