Arroba do boi chega a R$ 380 e bate recorde nominal da série do Cepea, iniciada em 1994
Oferta curta de animais terminados, consumo interno firme e expectativa de novas compras da China sustentam a alta, que já soma 10,4% desde setembro.

O boi gordo nunca valeu tanto em São Paulo. Na quinta-feira (15), o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq chegou a R$ 380 por arroba. É o maior valor nominal desde o início da série, em 1994. Desde o começo de setembro, a alta acumulada é de 10,4%.
Falta boi pronto para abate
Segundo os pesquisadores do Cepea, o principal motivo da alta é que há menos animais prontos para abate do que os frigoríficos precisam. A falta de boi tem origem em decisões tomadas meses atrás. Com medo de que a China esgotasse a cota e reduzisse as compras, muitos pecuaristas adiaram a entrada de animais no confinamento. Também pesam a reposição mais cara, que aperta a margem da engorda, e o volume recorde de exportação de gado vivo.
Em entrevista ao programa Mercado & Companhia, do Canal Rural, o analista do Cepea Tiago Baraio disse que muitos produtores estão segurando a boiada à espera de preços ainda melhores. Segundo ele, é comum em momentos de alta o pecuarista pedir alguns reais a mais por arroba. A decisão de segurar os animais depende do fôlego financeiro de cada fazenda.
Consumo interno e China sustentam a demanda
Do lado da demanda, o mercado interno, que consome a maior parte da carne produzida no país, tem conseguido pagar os preços mais altos. Segundo Baraio, a carcaça casada no atacado também está em níveis recordes. Desde o fim de setembro, compradores chineses começaram a negociar cargas para o início de 2027, quando começa a valer a nova cota de importação.
Em São Paulo, já há negócios pontuais acima do indicador. Segundo a Safras & Mercado, o boi a prazo era negociado a R$ 385 na capital paulista em 15 de outubro. Baraio espera muita oscilação até o fim do ano, com os frigoríficos precisando comprar e os pecuaristas tentando vender mais caro.
O vídeo acima, do DBO Play, mostra outro sinal da força do mercado: o preço do boi no mercado físico passou a superar o de todos os contratos do mercado futuro.
Fontes: Cepea/Esalq; Canal Rural (Hildeberto Jr., 08/10/2026); Safras & Mercado. Vídeo: DBO Play/YouTube. Texto reescrito pela redação do Pecuária Agora.
