Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Anunciar gado ou fazenda
Pecuária

Com China e União Europeia mais restritivas, Brasil abre 38 novos destinos para a carne bovina desde 2023

Levantamento do Ministério da Agricultura mostra que a busca por novos compradores se intensificou em 2025; Ásia lidera as aberturas.

Por GuilhermedaPorteira · 19/10/2026 21:30
Com China e União Europeia mais restritivas, Brasil abre 38 novos destinos para a carne bovina desde 2023
Rosto de bovino zebuíno da raça Brahman, em close
Bovino Brahman. Foto: Carlos Lopes (Uberaba-MG), via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Desde 2023, a carne bovina brasileira e seus derivados conseguiram entrar em 38 mercados novos. Os números são do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e vão até outubro de 2026. Cada abertura corresponde a uma autorização de importação dada por um país ou território depois que o Brasil atendeu às exigências sanitárias e comerciais dele.

Ampliar a lista de compradores virou uma das principais estratégias do governo para reduzir a dependência dos grandes importadores, que estão impondo mais barreiras. Na China, a cota anual de importação acabou em 1º de outubro. Com isso, a carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67%. A União Europeia, por sua vez, suspendeu a entrada de carnes do Brasil em 3 de setembro. O bloco alegou que as garantias sobre o controle de antimicrobianos na criação dos animais eram insuficientes.

2025 foi o ano com mais aberturas

As aberturas se concentraram em 2025, com 19 novos mercados. Em 2023 foram 7, em 2024 foram 3 e, em 2026, 9 até outubro. No total, desde 2023 foram liberados 25 tipos de produtos de carne bovina e derivados para 31 países.

A Ásia teve o maior número de aberturas, com 16. Entre os destinos estão Japão, Vietnã, Filipinas, Indonésia e Malásia. As Américas vêm em seguida, com 11, incluindo México, Chile, Cuba, Guatemala e El Salvador.

Negociações com Pequim e Bruxelas

Na terça-feira (13), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, se disse otimista com as negociações com a China, mesmo com as restrições à carne bovina. Ele citou a recente habilitação de quatro frigoríficos brasileiros pelos chineses, dois de carne bovina e dois de aves. Também mencionou que a China abriu seu mercado para miúdos suínos do Brasil.

Sobre a União Europeia, o ministro disse que as conversas para derrubar a suspensão continuam. Segundo ele, o bloco já indicou que pode voltar a comprar carne de frango e mel do Brasil. A carne bovina é o caso mais difícil, porque os europeus exigem rastreabilidade e controle sanitário durante toda a vida do animal.

700 mercados agropecuários em quase quatro anos

No mesmo dia, entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial, o governo Lula anunciou ter chegado a 700 mercados abertos para produtos agropecuários desde 2023. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro André de Paula apresentaram os números na sede do Mapa, em Brasília. Segundo o ministério, o governo Bolsonaro registrou 241 aberturas entre 2019 e 2022.

As 700 aberturas envolvem 405 produtos em 99 países ou territórios. Foram 78 em 2023, 222 em 2024, 225 em 2025 e 175 em 2026, até outubro. O produto com mais mercados novos é o material genético de bovinos e bubalinos, com 48 aberturas. A categoria inclui sêmen, embriões e outras células reprodutivas usadas em inseminação artificial e transferência de embriões, técnicas que servem para melhorar a genética dos rebanhos.


Fonte: reportagem de Seane Lennon (Poder360), republicada pelo Portal Agrolink em 15/10/2026, com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. Este texto foi reescrito pela nossa redação.

Compartilhe:
PublicidadeSua marca aquiFale com o comercial do Pecuária Agora
Newsletter

Receba a newsletter do Pecuária Agora

Cotações do boi e do leite, notícias, leilões e eventos da pecuária direto no seu e-mail. Grátis.